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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quando menos é mais, por Helena Echlin

Ganhe tempo para fazer coisas que ama simplificando sua vida

Tradução: Thays Biasetti

  
Judy Davis nunca compra nada novo se puder evitar. Essa consultora de marketing freelancer de 58 anos prefere roupas de brechó e móveis usados. Em vez de comprar presentes, ela dá plantas de seu jardim ou bolsas que costura com tecidos de roupas vintage. Judy é parte de um grupo que fez um voto de não comprar nada novo por um ano exceto o essencial como comida, remédio, produtos de limpeza e roupas íntimas (mas não vale lingerie de Paris). Embora algumas pessoas levam a simplicidade tão a sério como esse grupo, mais e mais de nós estamos involuntariamente diminuindo as compras e o consumo. Muitos indivíduos que escolhem esse estilo de vida são yogis. O trabalho seminal da filosofia do Yoga, Yoga Sutra de Patanjali, desaprova o materialismo e alguns yogis acham que apenas a prática de asana os ajuda a ser mais feliz com menos.

A busca pela vida simples não é novidade, claro. De Quakers a Transcendentalistas, o mundo sempre teve essas pessoas que se associam simplicidade com crescimento espiritual. Os hippies encontraram simplicidade apelando para razões mais seculares, como sustentabilidade ecológica. Mas aqueles que praticam uma vida sem consumo não são necessariamente ascetas espirituais ou tipos fora do “mundo”. Muitos são pessoas comuns que estão modificando o comportamento do dia a dia tentando ser conscientes sobre o que comer, dirigir e comprar.

Nos últimos 15 anos, “a simplicidade voluntária” ganhou milhares de adeptos. Muitos livros foram publicados como Do Berço ao Berço, de William McDonough e Michael Braungart; Capitalismo Natural, de Paul Hawken, Amory e Hunter Lovins; Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, e A Ecologia do Comércio, de Paul Hawken. Dezenas de sites também pregam a sustentabilidade no Brasil e no mundo, como Portal da Sustentabilidade e Atitudes Sustentáveis.

A maioria das tradições religiosas encoraja a vida simples e o Yoga não é exceção. No Yoga Sutra, Patanjali mostram os yamas (restrições morais) e niyamas (observanças), um conjunto de 10 princípios cruciais para o progreso do indivíduo pelo caminho yógico. Um dos yamas é o aparigraha, geralmente traduzido como não cobiça,. Mas significa mais do que apenas ter apenas o que necessita, explica David Frawley, fundador e diretor do American Institute of Vedic Studies e autor de vários livros. Aparigraha também significa “não ter muitas coisas desnecessárias em volta de você e não ansiar por coisas que outras pessoas têm,” diz Frawley. Em outras palavras, aparigraha também significa manter apenas o que precisa e querer apenas o que precisa.

Aparigraha leva naturalmente para um dos niyamas: santosha ou “contentamento”: estar satisfeito com os recursos à mão e não desejar mais. Enfim, Frawley diz, “Yoga é a transcendência do desejo por coisas externas, que é a causa do sofrimento, e encontrar paz e felicidade internamente.”


Fonte: Revista Yoga Journal

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Mala Perdida: Exercitando o Desapego


Por Humberto Meneghin

Quando viajamos em férias para o outro lado do mundo, longe de tudo e de todos, em especial para Índia onde os costumes são muito diferentes dos nossos, não queremos de jeito algum que as malas que despachamos não deixem de aparecer pela esteira do aeroporto por onde as bagagens costumam vir. No entanto, hoje em dia, o extravio de bagagens é muito comum de ocorrer.

A primeira reação, unida ao cansaço e a diferença de horas entre um país e outro, é a não aceitação pelo o que aconteceu. Então, você se pergunta, por que somente a minha bagagem se extraviou enquanto as dos meus companheiros de viagem vieram?

Ao procurar uma resposta condizente, alguém mais acostumado a viajar sugere que se elabore uma ocorrência junto à empresa aérea e que se peça uma indenização inicial. Feito isso, mesmo que se tenha levado quase uma hora para ser atendido e preenchido um formulário, como lidar com essa perda momentânea?

As coisas materiais que acumulamos no decorrer da vida têm um valor bem significativo para nós. Dizem, que pelo fato de os bens escolhidos a dedo para uma viagem, em especial quando essa viagem é para a Índia, traz a mensagem de que aquele ou aquela que foi vítima de um extravio de bagagem deve aproveitar este evento para exercitar o desapego.


Muito se tem falado em desapego: desapego em relação a bens materiais, desapego ao dinheiro, desapego às pessoas ou ao um relacionamento, desapego em relação a uma situação que incomoda e persiste na mente ou até mesmo o desapego quanto à situação feliz que já passou, mas que por insistência ainda estamos demasiadamente apegados.

No caso da mala que se extraviou, de uma forma ou outra, o desapego parecia ser momentâneo, pois ainda permanecia a grande expectativa de a bagagem chegar no dia seguinte, intacta com todos aqueles bens que mais se valoriza. Então, o exercício do desapego acontece dentro de um período curto, pois tem-se a informação e o alívio de que a mala virá logo logo.

Mas, na verdade, a mala não veio no dia seguinte, nem no outro e nem no outro. E o desespero ressurgiu acompanhado de queixumes e uma grande sensação de perda persistente junto da mensagem de nunca mais ver aquelas roupas e os outros pertences bem estimados.

Exercitar o desapego, não é uma tarefa fácil. Para alguns, isso pode aparentar ser fácil, para outros não. Mas, como conseguir exercitar o desapego em um mundo em que somos naturalmente apegados?

Você já parou para pensar de qual mala você tem que se desapegar? Será a mala da ignorância, da intemperança, do desespero, da amargura, do dinheiro? Ou será a mala da raiva e da incompreensão? Desapegar-se de uma mala, no sentido literal da palavra, pode ser bem mais fácil do que se desapegar de algo ou alguém de que, em um primeiro momento, não queremos nos desapegar.

Que a mala não apareça jamais, outra poderá ser comprada, ou seu conteúdo poderá quase que ser reposto, sendo que talvez um ou outro objeto não se possa substituir. E então, em relação a este objeto insubstituível somente o tempo ajudará atenuar a sensação de perda e conseqüentemente o desapego se fará também de uma forma natural e aquele que antes estava tão apegado se libertará.

Então, só resta dizer que a mala da Cecília finalmente chegou no quinto dia de viagem pela Índia e foi retirada em Chenai, com sucesso, mesmo parecendo que jamais viria.

Harih OM!



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